YouTube recusa aderir ao acordo da Meta sobre proteção de adolescentes
CEO do YouTube, Neal Mohan, diz que a plataforma não vai aderir ao acordo da Meta sobre adolescentes e seguirá com suas próprias medidas de segurança.
O YouTube não vai aderir ao acordo que a Meta fechou com procuradores-gerais dos Estados Unidos sobre danos das redes sociais a adolescentes. O anúncio foi feito pelo CEO da plataforma, Neal Mohan, e repercutido pelo Social Media Today em 24 de setembro de 2026. Segundo o executivo, o YouTube já investe fortemente em segurança para usuários jovens e seguirá fazendo isso de forma independente.
Contexto: o acordo de US$ 18 bilhões
Em agosto, a Meta aceitou pagar mais de US$ 18 bilhões para encerrar a ação movida por estados americanos e se comprometeu a adotar regras como limite de duas horas diárias de uso e bloqueio dos apps entre meia-noite e 6h para menores de 18 anos. Parte dos valores e das condições do acordo foi vinculada à adesão de YouTube e TikTok a medidas equivalentes, numa tentativa de criar um padrão comum para o setor.
Os argumentos do YouTube
Mohan afirmou que o YouTube é fundamentalmente diferente das plataformas da Meta e, por isso, precisa de uma abordagem própria. A empresa destacou que já oferece controles parentais que permitem limitar o tempo de uso e que trabalha com especialistas em segurança infantil para definir boas práticas. Segundo o Social Media Today, há sinais de que o TikTok também pode não aderir ao acordo.
A recusa do YouTube deve dificultar que a Meta acione os dispositivos do acordo condicionados à participação das concorrentes.
Por que o caso importa fora dos EUA
O debate sobre limites de tempo, feeds algorítmicos e verificação de idade para adolescentes está acontecendo em vários países ao mesmo tempo. No Brasil, o ECA Digital já obriga plataformas a adotar mecanismos de verificação etária e configurações protetivas por padrão. A divergência entre Meta e YouTube mostra que ainda não há consenso na indústria sobre o modelo ideal, o que pode levar reguladores a impor regras próprias.
Há também um componente competitivo. Se apenas a Meta adotar limites rígidos para adolescentes, parte do tempo de tela desse público pode migrar para outras plataformas. Ao condicionar parte do acordo à adesão de concorrentes, a Meta buscava evitar essa desvantagem, algo que a posição do YouTube torna menos provável no curto prazo.
O que isso significa para criadores e marcas
- Regras diferentes por plataforma: criadores que atuam em várias redes devem se acostumar a restrições distintas para o público adolescente em cada uma.
- YouTube mantém autonomia: ao menos por enquanto, não há previsão de limite diário padrão semelhante ao da Meta para jovens no YouTube.
- Risco regulatório segue alto: a recusa pode aumentar a pressão de autoridades sobre o YouTube e o TikTok, com possíveis ações próprias no futuro.
- Diversificação é proteção: quem depende de audiência jovem deve distribuir presença entre plataformas e canais próprios.
Para marcas que falam com adolescentes, o cenário exige atenção redobrada às políticas de cada plataforma e às leis locais, que podem mudar a forma de alcançar esse público nos próximos meses.
Fonte: Social Media Today. Texto original da redação Promove Cursos, com base nas informações publicadas pelo veículo.
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