Copom corta Selic para 13,75% e Sebrae vê alívio gradual a pequenos negócios
Copom reduz a Selic em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano, no quinto corte seguido. Veja o que muda no crédito e no caixa de quem empreende agora.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano na reunião encerrada em 16 de setembro de 2026. A decisão foi unânime, confirmou o ritmo de cortes de 0,25 ponto percentual e marcou a quinta redução consecutiva desde março, quando o ciclo de afrouxamento começou depois de um longo período com os juros básicos em 15%.
Para o Sebrae, o movimento abre uma janela, ainda que estreita, para micro e pequenas empresas reorganizarem as finanças. O presidente da instituição, Rodrigo Soares, resumiu a leitura ao afirmar que "os juros mais baixos permitem que haja mais dinheiro circulando", o que tende a se refletir nas vendas.
Um corte com o pé no freio
Apesar da queda, o comunicado do Copom evitou prometer novos passos. O colegiado indicou que a dimensão total do ciclo dependerá dos próximos dados e manteve a avaliação de que os riscos para a inflação seguem com viés de alta. As expectativas do boletim Focus citadas no período apontavam inflação de 4,9% em 2026 e 4,3% em 2027, ambas acima da meta de 3%.
O cenário externo também pesa. Conflitos no Oriente Médio, com efeito sobre energia, e incertezas sobre a política monetária de economias avançadas foram mencionados como fatores que pedem cautela a países emergentes. A próxima reunião do comitê está prevista para 4 de novembro.
Por que o efeito demora a chegar ao balcão
Mesmo com o corte, a Selic de 13,75% mantém os juros reais em patamar elevado. Isso significa que o custo do capital de giro, do cheque especial empresarial e do rotativo do cartão ainda está longe de ser confortável. Os bancos costumam repassar cortes aos poucos, e o spread cobrado de pequenos negócios depende também do risco de inadimplência, que segue elevado no país.
Mesmo assim, a direção importa. Cada redução diminui o custo de rolagem das dívidas atreladas ao CDI e melhora a atratividade de linhas pós-fixadas. Em paralelo, o consumidor tende a ganhar algum fôlego no crediário, o que ajuda setores que dependem de parcelamento, como móveis, eletrônicos e serviços.
O que o Sebrae recomenda
A instituição listou alguns cuidados para aproveitar o momento sem se expor demais:
- Renegociar com fornecedores: contratos e prazos firmados com juros mais altos podem ser revistos.
- Critério conservador no crédito ao cliente: o Sebrae lembrou que a inadimplência segue em patamar relevante, na casa de 7,6%.
- Estoque enxuto para o fim de ano: priorizar itens de giro rápido antes de Black Friday e Natal.
O que isso significa para quem empreende
Para quem vende online, cursos ou serviços digitais, o recado é planejar com base em juros que caem devagar, e não em uma virada brusca. Algumas atitudes práticas:
- Levantar todas as dívidas atreladas ao CDI e simular quanto a queda de 1,25 ponto acumulada no ano já reduziu as parcelas.
- Comparar propostas de antecipação de recebíveis entre bancos e fintechs, já que as taxas tendem a se ajustar primeiro nesse tipo de operação.
- Usar o período para investir em aquisição de clientes com retorno mensurável, como tráfego pago bem segmentado, em vez de ampliar custos fixos.
- Manter uma reserva de caixa: o próprio Banco Central sinaliza que não há garantia de novos cortes.
Em resumo, a decisão de setembro melhora marginalmente o ambiente de crédito, mas o dinheiro barato ainda não voltou. Quem organizar o fluxo de caixa agora estará em melhor posição caso o ciclo de cortes continue em 2027.
Fonte: Brasil 247 / Sebrae. Texto original da redação Promove Cursos, com base nas informações publicadas pelo veículo.
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