Consultoria do Sebrae reduz em 68% risco de fechamento, aponta estudo
Estudo do Sebrae indica que negócios atendidos por consultoria têm 68% menos risco de fechar. Entre MEIs, sobrevivência em 5 anos quase dobra.
Pequenos negócios que recebem consultoria técnica do Sebrae têm 68% menos risco de fechar as portas do que empresas sem esse tipo de apoio. A conclusão é do estudo "Avaliação de Impacto da Consultoria Sebrae na Sobrevivência dos Pequenos Negócios", elaborado pelo Centro de Gestão do Conhecimento e Pesquisa da instituição e divulgado em setembro de 2026.
Os números da sobrevivência
A pesquisa acompanhou a trajetória das empresas nos cinco primeiros anos de atividade, com atenção especial aos dois primeiros, considerados os mais críticos. Os principais resultados:
- Após cinco anos, 77% dos negócios atendidos continuavam ativos, contra 55% dos que não receberam apoio, uma diferença de 22 pontos.
- Entre microempreendedores individuais, a taxa de sobrevivência sobe de 33,7% para perto de 65% com orientação, um salto de cerca de 31 pontos.
- Para micro e pequenas empresas, a sobrevivência chega a 85% com apoio, frente a 70% sem ele.
O presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, afirmou que a missão da entidade é estar ao lado do empreendedor nos momentos decisivos, oferecendo a qualificação necessária para superar os desafios iniciais do mercado.
Por que o MEI é o mais vulnerável
O dado mais chamativo é o do MEI. Sem apoio, apenas um em cada três microempreendedores segue ativo depois de cinco anos. A explicação costuma estar em fatores conhecidos: mistura entre finanças pessoais e da empresa, preço definido sem cálculo de custos, dependência de poucos clientes e ausência de estratégia para atrair novos compradores.
O estudo chega em um momento de abertura acelerada de empresas no país, com quase 4 milhões de novos pequenos negócios entre janeiro e agosto. Ao mesmo tempo, a inadimplência empresarial está em nível recorde, e a Selic, embora em queda, segue alta. Nesse ambiente, erros de gestão custam mais caro.
Leitura crítica
Vale observar que a pesquisa é conduzida pela própria instituição que oferece o serviço avaliado, e a divulgação não detalha tamanho da amostra nem a metodologia usada para comparar os grupos. Empresas que procuram consultoria podem ter, por si só, perfil mais organizado. Ainda assim, a diferença de desempenho é grande o suficiente para reforçar uma ideia consolidada no mercado: conhecimento de gestão aumenta as chances de sobrevivência.
O que isso significa para quem empreende
Independentemente de contratar uma consultoria, o estudo aponta para áreas onde o investimento em conhecimento dá retorno:
- Finanças básicas: separar contas, registrar entradas e saídas e acompanhar o fluxo de caixa mensal.
- Precificação: calcular custos fixos, variáveis e margem antes de definir preços.
- Marketing e vendas: ter presença digital consistente, entender tráfego pago e usar redes sociais com objetivo comercial.
- Planejamento dos dois primeiros anos: é quando a maioria dos negócios fecha; ter reserva e metas claras faz diferença.
- Buscar capacitação acessível: cursos online, mentorias e programas gratuitos ajudam a preencher lacunas que o empreendedor não consegue resolver sozinho.
A mensagem do levantamento é direta: abrir um negócio ficou mais fácil, mas mantê-lo de pé exige método. Quem investe em capacitação desde o início tende a atravessar melhor a fase mais arriscada.
Fonte: Sobral em Revista / Sebrae. Texto original da redação Promove Cursos, com base nas informações publicadas pelo veículo.
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