UE vai cobrar taxa por item de compras na Shein e Temu a partir de novembro
Reforma aduaneira da União Europeia cria taxa de manuseio por item importado de fora do bloco a partir de 1º de novembro e endurece regras para plataformas.
Consumidores europeus que compram em plataformas como Temu, Shein e AliExpress devem pagar mais a partir de 1º de novembro de 2026. Segundo reportagem do EU Perspectives publicada em 17 de setembro, a União Europeia vai introduzir uma taxa de manuseio cobrada por item em encomendas vindas de vendedores de fora do bloco, dentro de uma ampla reforma aduaneira que também endurece as regras de segurança de produtos.
O que muda
A nova taxa será obrigatória para os países membros, mas o valor ainda não havia sido definido pela Comissão Europeia no momento da reportagem. Formalmente, quem paga são as plataformas, mas a expectativa é que o custo seja repassado aos compradores por meio de preços ou fretes mais altos. A cobrança se soma a uma taxa alfandegária temporária de 3 euros, introduzida em julho de 2026 para importações de baixo valor.
A reforma também muda a responsabilidade legal: plataformas que facilitam vendas diretas de fora da UE passam a ser tratadas como importadoras. Com isso, respondem por informações aduaneiras corretas, pelo pagamento das cobranças e pela conformidade dos produtos com as normas europeias de segurança. As multas previstas variam de 1% a 6% do valor anual das mercadorias importadas.
Por que Bruxelas apertou o cerco
O volume explica a pressão. Cerca de 5,8 bilhões de encomendas de baixo valor entraram na União Europeia em 2025, e estimativas citadas na reportagem indicam que cerca de 65% delas estariam subvalorizadas para evitar cobranças. O negociador do Parlamento Europeu Dirk Gotink classificou a mudança como a maior reforma aduaneira do bloco desde 1968.
Um movimento global
A decisão europeia faz parte de uma tendência mais ampla de fechar brechas usadas pelo comércio eletrônico transfronteiriço de baixo valor. Os Estados Unidos já reviram suas regras de isenção para pequenas remessas, a França aprovou uma lei contra a moda ultrarrápida, e o Brasil criou em 2024 a chamada “taxa das blusinhas”, que passou a tributar compras internacionais de até 50 dólares.
O que isso significa para quem empreende na internet
- Para lojistas brasileiros que vendem para a Europa: fique atento a como as taxas serão repassadas por marketplaces e operadores logísticos; o custo final para o cliente europeu pode mudar.
- Para quem compete com importados: regras mais rígidas lá fora tendem a reduzir a vantagem de preço das plataformas asiáticas, abrindo espaço para marcas que investem em qualidade, prazo e atendimento.
- Para dropshipping: o modelo baseado em envio direto da Ásia fica mais caro e mais regulado em vários mercados; vale estudar estoque local ou fornecedores regionais.
- Conformidade: a responsabilização das plataformas por segurança de produto deve se refletir em exigências maiores de documentação para vendedores terceiros.
Os detalhes finais, incluindo o valor da taxa de manuseio, ainda dependem de definição da Comissão Europeia.
Fonte: EU Perspectives. Texto original da redação Promove Cursos, com base nas informações publicadas pelo veículo.
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