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Redes Sociais

Orkut vai voltar? Criador lança campanha por nova rede social; veja o que se sabe

A contagem regressiva no orkut.com terminou com uma carta de Orkut Büyükkökten e a campanha “Uma internet humana” por uma nova rede social. O Orkut antigo não voltou: veja o que se sabe e como participar.

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A contagem regressiva que tomou conta do orkut.com nos últimos dias terminou nesta quinta-feira (8 de outubro de 2026), às 10h no horário de Brasília. Quem esperava ver a velha rede social de volta — com scraps, depoimentos e comunidades — encontrou outra coisa: uma carta aberta de Orkut Büyükkökten, criador do Orkut, e uma campanha para reunir apoio a uma nova rede social, focada em pessoas reais e em comunidades, e não em algoritmos de engajamento.

Ou seja: por enquanto, o Orkut que marcou uma geração de brasileiros não voltou. O que existe é um movimento chamado “Uma internet humana”, que pede assinaturas para mostrar que há interesse em uma rede diferente das atuais. A seguir, o que se sabe até agora, o que o cadastro garante (e o que não garante) e o que essa história sinaliza para quem trabalha com redes sociais.

O que aconteceu no orkut.com

Durante a semana, o endereço oficial exibia apenas um cronômetro, o que alimentou a expectativa de um relançamento. Quando o tempo acabou, a página passou a mostrar a frase “Você merece algo melhor das redes sociais”, a carta do fundador e um formulário de assinatura, disponível em vários idiomas, incluindo o português.

A página não traz nome de produto, data de lançamento, funcionalidades nem aplicativo para baixar. O pedido é um só: que as pessoas adicionem o nome ao movimento e convidem amigos.

O que diz a carta de Orkut Büyükkökten

Na carta, o engenheiro turco lembra que criou algumas das primeiras redes sociais há mais de duas décadas e afirma que, nesse tempo, as plataformas “tomaram o rumo errado”. A crítica central é contra os feeds otimizados para prender a atenção e vender anúncios, que, segundo ele, deixaram as pessoas — e principalmente as crianças — mais solitárias e ansiosas.

Ele também dedica boa parte do texto à inteligência artificial. Para o criador do Orkut, bots, conteúdo sintético, deepfakes e perfis automatizados estão apagando a certeza de que existe uma pessoa de verdade do outro lado da tela. A saída que ele propõe é voltar ao que fez o Orkut ser lembrado até hoje: as comunidades. Uma das frases da carta resume a ideia: “Num feed, você é plateia; numa comunidade, você é membro.”

O texto termina com um chamado para “tornar a internet humana de novo” — sem prometer, em nenhum momento, a reativação da plataforma antiga.

Então o Orkut vai voltar?

Não da forma como ele existiu entre 2004 e 2014. Pelo que está publicado no site oficial:

  • Não há relançamento confirmado do Orkut antigo, nem data para uma nova rede;
  • o novo projeto não tem nome nem lista de recursos divulgada;
  • a assinatura não cria conta, não reserva nome de usuário e não garante lugar em fila de acesso;
  • a campanha não é um abaixo-assinado dirigido a governo ou empresa: serve para medir o interesse do público.

A meta citada é reunir milhões de apoiadores, mas não foi divulgado quantas assinaturas seriam necessárias para o projeto sair do papel.

Como participar da campanha (e se proteger)

Para apoiar o movimento, é preciso ter mais de 18 anos. O passo a passo é simples:

  1. Acesse o endereço oficial orkut.com (digite direto no navegador);
  2. informe nome, país e e-mail — telefone e o aceite de mensagens de marketing são opcionais;
  3. depois de assinar, você recebe um código e um selo para compartilhar;
  4. se quiser, envie um “cartão de apoiador” para alguém que gostaria de ter por perto na nova rede.

Atenção a golpes: momentos de grande curiosidade costumam atrair sites falsos e mensagens que prometem “acesso antecipado” ou “recuperar seu Orkut antigo”. O cadastro oficial não cobra nada, não pede senha de outras redes e não recupera perfis, fotos ou scraps da plataforma encerrada. Desconfie de links recebidos por WhatsApp ou e-mail e confira sempre se está no domínio orkut.com.

Grupo de amigos unindo as mãos, ideia de comunidade
Foto: Hannah Busing / Unsplash

Do Orkut ao Hello: a linha do tempo

  • 2004 — Orkut Büyükkökten, então engenheiro do Google, lança a rede que leva o seu nome. O Brasil se torna um dos maiores mercados da plataforma.
  • Setembro de 2014 — após cerca de dez anos no ar e a perda de espaço para o Facebook, o Google encerra o Orkut.
  • 2016 — o criador lança o Hello, aplicativo baseado em interesses em comum, que nunca alcançou a mesma popularidade.
  • Abril de 2022 — o Hello é desativado e o orkut.com volta ao ar com uma mensagem do fundador dizendo que estava “construindo algo novo”.
  • Outubro de 2026 — a contagem regressiva termina com a carta e a campanha “Uma internet humana”.

O que isso muda para quem trabalha com redes sociais

Mesmo sem data de lançamento, a repercussão mostra um desejo real do público: menos feed infinito e mais pertencimento. Para quem cria conteúdo, empreende ou trabalha com marketing digital, alguns aprendizados valem desde já:

  • Comunidade vale mais que alcance: grupos, listas de e-mail e canais próprios mantêm o contato com o seu público mesmo quando o algoritmo muda;
  • autenticidade virou diferencial: com a internet cheia de conteúdo gerado por IA, mostrar bastidores, rosto e voz reais ajuda a ganhar confiança;
  • conversa antes da venda: responder, criar enquetes e incentivar a troca entre seguidores fortalece o vínculo e aumenta as vendas;
  • não dependa de uma só rede: distribuir a presença entre plataformas e canais próprios reduz o risco de perder tudo com uma mudança de regra.

Se a nova rede de Büyükkökten realmente sair do papel, quem já souber construir comunidades estará na frente. E, se não sair, essas práticas continuam valendo no Instagram, no TikTok e em qualquer plataforma que vier.

Foto de capa: Orkut Büyükkökten em 2015 — Mark Schierbecker / Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0 (adaptada)

Fonte: Orkut.com (carta oficial)

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